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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Calor Preguiçoso / Crônica de Supermercado

Calor Preguiçoso / Crônica de Supermercado

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Hoje tive que ir num outro supermercado e este, sem ar condicionado. Para que entendam a crônica, o calor no litoral do Paraná era tanto que a sensação térmica equivalia aos cinquenta graus centígrados. Calor maior eu duvido que se tenha visto por aqui.

O pão eu havia comprado, mas faltou o leite. Comprei o leite e fui para a fila de vinte pessoas. Todos suavam apesar do movimento médio no estabelecimento, inclusive a que vos escreve.

A chamada para os fregueses da fila era pelo número do caixa:

_Caixa oito livre! Caixa Doze livre!

Assim a fila andava lenta e preguiçosamente como os atendentes e consumidores.

Ouviu-se que o caixa sete estava livre e, no entanto, a fila não andou. Em seguida ouviu-se novamente que o caixa doze estava livre, mas a fila continuou parada. O caixa sete chamou a segunda e a terceira vez e ninguém andava.

Foi quando a senhora que estava atrás de mim pediu que avisassem o começo da fila que havia caixa livre.

A modorra era tanta que ninguém falou em voz alta para avisar o retardatário do começo da fila. Eu cutuquei o senhor da frente e pedi que ele avisasse o número um da fila. Ele, por sua vez cutucou o freguês à frente dele. Assim foi até chegar ao senhor com um pequeno carrinho de compras.

_Ah! Sou eu? Obrigada por me avisar.

O que estava atrás respondeu:

_De nada, não por isso.

Obrigada e de nada voltaram até a mim e à senhora que estava logo atrás, a idealizadora da ideia.

Todos nós estávamos educadíssimos, dizer isto seria uma farsa, estávamos sem vontade de nos mexer esperando pelo possível vento que adentrasse na fila. O calor era tanto que o raciocínio comum era permanecer na fila até que a chuva viesse, mas não deu.

Quando cheguei ao caixa, ele pediu desculpas pela demora e foi a hora correta de usar a expressão de gíria:

_Não esquente. O calor natural nos basta.

O caixa agradeceu a minha boa vontade e eu respondi que era eu quem agradecia a ele pela gentileza. Bom seria se fosse assim o ano inteiro.

Um comentário:

Jorge disse...

Sabe bem ler estas crónicas. São o retrato da realidade do dia a dia.
Bom fim de semana!