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domingo, 25 de novembro de 2012

Colar de Pedras Brasileiras

O Colar de Pedras Brasileiras

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Pedras brasileiras, coloridas, requintadas, delicadas e lapidadas. Mariana em Copacabana, primeira vez no Rio de Janeiro. Colar de pedras coloridas compradas na Barra da Tijuca, maiô inteiro de butique, sandálias de dedos rendadas multicoloridas.

Saiu do hotel à beira mar, viu o encanto, quis se banhar no mar. Entre o mar e as pedras brasileiras, o obstáculo, não gostaria de se banhar vestindo o colar fino com o qual saiu do hotel sem notar que o usava.

Muito calor, sol e a exuberância do lugar a fizeram desistir de voltar ao hotel para guardá-lo, era verão e a fila no guarda-volumes do saguão do hotel estava grande.

Comprou uma lata de refrigerante, colocou o colar dentro e o entesourou dentro de um castelo de areias feito por ela mesma, ao lado do guarda-sol e da cadeira.

Foi ao mar, se banhou e, segura de si, foi caminhar. Quando se deu conta, estava no Leblon. As mulheres do Leblon usam colares e brincos e pulseiras na praia. Tinha que voltar até Copacabana para pegar o seu colar, voltar, pegar o colar e vir de novo ao Leblon, desta vez produzida.

Copacabana estava lá, o seu guarda-sol, a sua saída de praia, mas o castelo, não estava mais lá.

Perguntou ao homem do quiosque sobre o castelo.

No entra e sai de gente molhada, o castelo desapareceu. Ninguém o havia danificado, sequer alguma criança o tocou. A areia do castelo estava no mesmo lugar, bastava que ela assim o desejasse e ele estaria em pé novamente.

Faltavam alguns dias para aproveitar os passeios turísticos e choveu à noite. Ela sonhou com caranguejos. No dia seguinte decidiu passear, mas na hora do almoço não teve coragem de ir à caranguejada; fez um lanche rápido e foi caminhar à beira do mar para entender o que aquela perda significava para ela. Talvez devesse se importar menos com bens materiais. Pensava nisso quando avistou o camelô vendendo colares de conchas.

Colocou o colar de conchas e o substituiu pelo colar de pedras. Feliz voltou ao grupo de excursionistas e foi passear. Morro da Urca, Corcovado.

Os dias foram passando e chegou o dia livre para as compras. Marina não foi às compras, de lembrança aos amigos comprou cartões postais e os enviou do posto de correios próximo ao hotel.

Almoçou, descansou e foi caminhar na praia.

Os pés enroscaram e a seguraram na areia. Quase tropeçou ao ver o colar de pedras brasileiras enrolado no dedão do pé.

Com ternura tomou o seu colar de pedras brasileiras, passou-os nas águas do mar e o colocaria no pescoço se não estivesse usando o colar de conchas.

Retirou o colar de conchas para devolvê-las ao mar, mas estavam amarradas entre si. Procurou na avenida uma papelaria e comprou uma tesoura escolar, sentou-se num dos bancos do calçadão e desmanchou a amarração, guardou as conchas nas cascas do milho verde, gentilmente cedidas pelo dono de outro quiosque.

Levou as conchas ao mar vestindo o colar de pedras e que o destino se encarregasse de mostrar alguma lição aos fatos, parece que ninguém precisa de lições de vida todos os dias.

10 comentários:

Célia Rangel disse...

Dai a César... o que é de César...
Ser apenas e não o ter somente!
Introspectivo conto.
Bjs. Célia.

Maria Rodrigues disse...

Adorei a história, o colar estava destinado a regressar a quem tanto gostava dele.
Beijinhos
Maria

Paulo Francisco de Araujo disse...

Gostei!
Yaya, uma descrição diferente (bacana) do Rio - da orla carioca.
Parabéns!
Um beijo grande

Jonatan Israel Quadros disse...

;-0

manuel marques Arroz disse...

Bonito.

Abraço e boa semana.

Bergilde disse...

Viajei com você até a cidade maravilhosa por meio dessa narração.
Abração!

Vitor Reis disse...

yayá, seu blog foi indicado...

http://100viagensnoolhar.blogspot.com.br/2012/11/500-mil-agradecimentos-em-100-viagens.html
obrigado...:-)

Rui Pascoal disse...

Parece ainda haver histórias com final feliz.
:)

Mona Lisa disse...

O que tem que ser tem muita força!

Belíssimo conto!

Beijos.

aluap disse...

Há muitíssima gente que só quer ter! Mas gostei que esta Senhora devolvesse ao mar as conchas.

Um abraço de amizade.