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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Autossabotagem

Autossabotagem

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Rogério Fernando era o que se chamava de bom partido: bonito, bem sucedido, amoroso, responsável, etc.

Rosana era amorosa, responsável, inteligente e empresária em início de carreira. A moça, porém, era muito bela. A fisionomia delicada no corpo esguio e curvilíneo a tornavam especial aos olhares masculinos.

De idade eles combinavam, ele três anos a mais que ela. Namoraram e se casaram para a alegria de ambas as famílias.

Na noite do casamento, num ímpeto apaixonado, o noivo, Rogério pergunta a ela como não sentir ciúmes de tão bela esposa. Ela, Rosana, igualmente apaixonada, promete a ele que jamais terá motivos para sentir ciúmes.

Passa a lua de mel e o casal inicia a vida em comum normal. Ele se mantém igual. Ela, para que ele não sinta ciúmes, procura meios de se enfear.

_Agora sou senhora, vestirei trajes de senhora.

Trajes de senhora numa jovem de vinte e dois anos a deixam desengonçada. O marido ri-se da prova de amor dela e a beija dizendo que jamais exigira tamanha severidade no se postar. Ele disse também que ela era linda de qualquer modo, com qualquer roupa, mas ela estava solene naquela saia evasê preta abaixo dos joelhos complementada com a blusa de mangas curtas no tom rosa antigo, sandálias de saltos grossos com quatro centímetros de altura. Medindo de cima a baixo, sua amada estava sóbria e elegante. Rogério sentia-se orgulhoso da escolha feita ao se casar.

Dois anos de casados e Rosana andava cabisbaixa. Extremamente chorosa, como se o mundo fosse desabar a qualquer momento. O marido a levou ao médico. Nada, ela não tinha nada errado com o organismo.

O tempo passava e Rosana continuava a se lamentar e pequenos acontecimentos eram motivos para a irritação, sentia-se indisposta e havia dias em que pedia para dormir sozinha.

O marido via a sua linda mulher se afastando sem motivo aparente.

Um dia a mãe a chamou e perguntou o que havia de errado. Nada, ele era carinhoso, responsável, e ela gostava de estar com ele.

_Se está tão feliz por que você não se arruma? Os cabelos são tratados, mas você se comporta como se fosse a minha mãe. Nem eu recém-casada vesti-me deste seu jeito! Nos anos 50 eu saía de saia lápis, blusa com bordados e maquiagem. O que está acontecendo com você? Para quem você mente?

Rosana conta que prometeu na noite de núpcias que Rogério jamais teria motivos para ter ciúmes dela. Quem tem ciúmes nesses modos de se comportar?

A mãe respondeu:

_Ciúmes ele não tem. Eu tenho medo é que ele encontre alguém mais simpática que você, o que não será difícil nessas circunstâncias. A que ponto chega a sua insegurança em se assumir como mulher madura e bem resolvida! É o seu comportamento perante os homens avulsos, o que impõe respeito, a roupa não diz muito. A menos que você use uma minissaia fúcsia com o par de meias rendadas pretas, sandálias de saltos altos e regata prateada. Se usar me avise antes, sou sua mãe e irei junto com você na festa.

Rosana disse que tinha prometido, cumprido e que ele ficou feliz no dia em que se vestiu pela primeira vez desse jeito.

A mãe disse que agora, ele agradeceria se ela mudasse. A filha se sentiu confusa e a mãe a levou para comprar umas roupas novas adequadas a ela, casuais ou citadinas, eram roupas jovens.

Deixou a filha em casa, mas antes pediu uns pastéis para o jantar do casal.

No dia seguinte a mãe de Rosana recebeu um lindo buquê de rosas vermelhas e um cartão com o agradecimento do genro.

11 comentários:

Célia Rangel disse...

E, desde quando casamento, idade passam a ser limite de vida? Autoestima minha gente! Essa se salvou a tempo!
Bj. Célia.

Simone MartinS2 disse...

Eu ja fui assim um dia...Mas hoje sou pior, pois adoro meu estilo desleixado, jeans, all star e camiseta basica, pronto, estou bem do jeito que estou e isso me basta!

Pena que ela se enfeiou pelo marido, perdeu a apersonalidade.
Mas agora, quem sabe, viverão felizes para sempre!

Abraços

ELIzabeth disse...

"Amor, cuántas injusticias se cometen en tu nombre."

Tu pluma le brinda a mis alas razones para volar.

Besos y versos.

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

Tus versos estan llenos de amor,y nos haces participes,un abrazo.J.R.

OceanoAzul.Sonhos disse...

Amar, não significa anularmo-nos. Os ciumes em demasia são prova de falta de confiança. Devemos ser fiéis a nós proprios, senão não seremos felizes nem faremos os outros felizes.

Gostei muito do texto.
um abraço
cvb

Sonia Guzzi disse...

O eterno exercício de erros e acertos...E assim vamos vivendo.
Que gostoso voltar no seu canto...
Beijo, em divina amizade.
Sonia Guzzi

aluap disse...

Conseguiu logo no primeiro parágrafo aumentar a minha curiosidade e interesse pela história do Rogério Fernando e Rosana. Com certeza haverá muitas mulheres a procederem de igual modo, como haverá outras tantas que não, mas seu conto não deixará de ser um alerta para as mulheres, em especial, casadas ou a viver em união de facto, que só precisam ser acordadas, digo eu!

Beijo e espero que o casal seja feliz.

Zilani Célia disse...

OI AMIGA!
UMA GRANDE LIÇÃO.
NÃO EXISTE NADA NESTE MUNDO QUE MEREÇA QUE A PESSOA DEIXE DE SER ELA MESMA, ATÉ PORQUE, NESTE CASO, ELE SE APAIXONOU PELA MOÇA QUE ELA ERA ANTES E NÃO NA QUE ELA SE TRANSFORMOU.
SE NÃO FOSSE A SABEDORIA DESTA MÃE, TALVEZ O FINAL NÃO FOSSE MUITO FELIZ NÉ?
ABRÇS
zilanicelia.blogspot.com.br/
Click AQUI

ONG ALERTA disse...

As pessoas assumem compromisso e não mudança de personalidade, beijo Lisette.

mfc disse...

Nestas coisas a idade ensina muito...!

Luís Coelho disse...

É preciso continuar o noivado todos os dias e nunca se encaixar num canto com medo de despertar olhares alheios.

Das coisas que desde moço me chamaram a atenção foram o modo como as pessoas se vestiam depois de casadas.

Graças a Deusa que minha mulher me compra muitas roupas novas e me está sempre a dizer para limpar bem os dentes e os sapatos.

Devemos ser limpos por dentro e por fora.