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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Quadro e o Observador

O Quadro e o Observador
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Entre uma atividade e outra passei ao lado de uma exposição. Uma das obras de arte me chama a atenção: um filhote de tigre e um gato preto, abraçados sobre o muro, de costas para o observador, porém com as cabeças erguidas e as patas trançadas por sobre os ombros um do outro.
O inusitado da obra me obriga a pensar que gato e tigre não são inimigos naturais e, no entanto, vivem em habitat diferentes. Prestando mais atenção, é difícil não pensar numa crise de identidade do tigre, que se comporta como um gato em cima do muro e, na falta de tato ou sorte do gato, aos escolher os amigos.
A curiosidade ficou aguçada porque não se via a fisionomia dos dois, mas a identificação entre eles estava explícita através do abraço e as cabeças voltadas para a mesma direção, a frente deles. A personificação e o contexto subjetivo do ser humano estavam presentes nessa obra moderna, porém sem uma classificação definida de minha parte.
O quadro cumpriu o papel da arte ao ser questionador das relações humanas e a sua realidade além de sugerir inúmeras possibilidades através da fantasia de cada espectador.
Voltei para casa com a certeza de que o quadro merece o local de exposição público em espaço aberto pela liberdade de intenções que ele transmite. Um tigre no sofá? Só por brincadeira.
Concluí que a arte deve estar em exposição, mesmo que o artista não seja conhecido do grande público. Neste caso temos um quadro instigante, mas o que liberta a obra de um artista do seu dono são esses olhares diversos e as suas impressões, que acrescentam ideias e aprendizados na vontade de saber o novo e sentir de novo.
Divido com vocês esta descrição em forma de crônica porque penso que a ler, vocês terão as suas ideias. Aqui vale um alerta, sem exagero, o nome do artista que expõe deve ficar em destaque nas exposições públicas, para que possamos anotar o seu nome e, quem sabe vir à sua procura.

10 comentários:

Luís Coelho disse...

Gosto também de pintura e de redescobrir a ideia do autor ou outras que me forem surgindo em cada olhar para um quadro ou até mesmo para uma outra obra de arte.

Célia disse...

Obra de arte sempre tem um significado, nem sempre a do artista, pois cada um faz sua leitura e dela se apropria. A união dos diferentes, nisso são iguais!
Abraço da Célia.

Vera Lúcia disse...

Olá Yayá,

Bela crônica! Conduz a uma boa reflexão.
O alerta final também é bastante válido e oportuno.

Beijo.

Obtuso disse...

...mas que melhor para um tigre que não o sofá ?... afinal não passa de um gatinho mais...

Michele disse...

Todo expectador e todo leitor é também um co-autor. :)


Um beijo e boa quarta

Artes e escritas disse...

Grata pelos comentários. Michele: admirar e observar não é desenhar ou imaginar a obra, então a co-autoria não se aplica. Esclarecer é preciso:))

SIMONE PRADO disse...

Vim lhe fazer um convite:visite o blog do EDU
Rima blog eu te dou uma flor
Aqui todos são bem vindos, cujo tema é: rimar, respeito, amar, e fé. satisfeito, pensar, sorrir, perfeito, desejo, feito por si.http://rimablogeutedouumaflor.blogspot.com/

IDERVAL TENÓRIO disse...

Minha Guru Yayá, sinto no fundo no fundo,uma mensagem de inocência ,de purismo,de desprendimento ,sem maldade.Enxergo o filhote de um tigre enquanto filhote, no mesmo patamar de um gato adulto .Um animal pacato,macio,leve,atencioso e familiar ,todavia ,no decorrer da evolução,do crescimento,do patamar real da vida adulta,cabe ao gato a defesa, uma que,o tigre por sua natureza predadora considera o pacato gato uma presa. O artista foi sábio,arguto, mostrando que feliz é o mundo da criança,da infância e da inocência.Quando chega a fase adulta ,o espírito da competição ceifa este belo laço de consanguinidade racial .
La Fontaine em o Pulo do Gato retrata a realidade do mundo adulto,que pena que esta fase criança não perdure para sempre.
Outra coisa :o autor,o artista,o criador ,sempre bem exposto,letras garrafais,colado aos olhos do interlocutor,do leitor,do expectador.Parabéns , reportei à minha infância,naquela época não existiam diferenças sociais,todos éramos filhotes, crianças,Gatos.Hoje, muitos se revelaram : eram Ferozes Tigres.
Iderval Reginaldo Tenório

http://www.iderval.blogspot.com

mfc disse...

A fraternidade sempre me comove!

Walkyria disse...

A pintura é sempre inspiradora, e sua reflexão também.
É lírica a ideia de um tigre e um gato abraçados.
Todos somos gatos e tigres, há horas em protegemos e em outras precisamos de proteçao.
Grande abraço