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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Cão Sem Vocação

O Cão Sem Vocaçãoclip_image002

Ontem foi um barulho de gato e cachorro para além do muro, que eu me lembrei de um cachorro, que mesmo não sendo meu, cativou-me profundamente.

O nome dele era Carranca, um cachorro policial de uma parenta que comprara um cão treinado para defender a sua residência.

Orgulhosa da aquisição mostrava a todos aqueles que entravam em sua residência o comportamento do cachorro, a ponto de acontecer de um familiar meu quase ser mordido pelo cão ao mostrar o pacote de presente ao aniversariante da casa.

O problema era que Carranca, quando eu estava presente à festa e sentava no sofá junto com a família, deitava a cabeça dele no meu ombro colado ao meu pescoço. A parenta, que tinha instruções técnicas para lidar com ele, o retirava do ambiente.

A conversa prosseguia e, quando menos se esperava, ele entrava sorrateiramente na sala e deitava a cabeça no meu pescoço. Era um cachorro treinado e seria perigoso fazer qualquer gesto brusco. Eu bem que sentia vontade de agradar aqueles olhos de pastor alemão, mas não era recomendável.

O resultado é que ninguém conversava nada com coisa nenhuma, o assunto era o meu pescoço e o cachorro. Carranca por vezes saía chorando e empurrado.

Em casa, a família me pedia para tomar cuidado e eu tomava cuidado, mas era estranho o comportamento do cachorro.

Passaram-se uns dois anos e a parenta nos liga dizendo que Carranca havia fugido enquanto ela abria o portão da casa. Ela ficou triste, ficamos com pena porque Carranca defendia a casa dela.

À época, esperei que ele voltasse para a dona, mas ele não voltou. Sumiu e ninguém na vizinhança o viu depois da fuga.

Carranca não servia para cão policial, ele era manso. No mais era aparência do estilo de vida para o qual havia nascido. Essa é a minha opinião, contra o senso da lógica, ele era um cachorro com outra vocação. Qual vocação exatamente, eu não faço a mínima ideia, mas bem no fundo parece que eu sentia que ele buscava outra tarefa. O fungado no meu cangote me dizia que algo estava errado, o choro dele ao ser afastado de mim, me doía, mas a obrigação dele era outra.

13 comentários:

Fatima disse...

Seus textos são sempre ótimos!
Bjs.

Luís Coelho disse...

Os cães conhecem os seus amigos e protectores e fazem tudo para serem agradáveis aos donos ou a que lhe merece simpatia.
Uma história com ternura.

Os meus cães gostam de mim e são-me obedientes.

Marcos Souza disse...

Um relato um tanto triste pelo desaparecimento dele; mas uma coise é certo: Ele te amava. Abraços e tenha uma ótima semana, amiga.

Elisa T. Campos disse...

Lindo texto

Carranca
só teu afeto queria
Pastor da liberdade
foi pregar em outro lugar
exercer outra atividade
não queria ser mais
cachorro policial

Yayá
Comentei na postagem sua sobre o plágio parabenizando sobre a divulgação e ao clicar publicar
caiu em outro lugar do google.
Me pareceu estranho.É normal isso?

bjs

SIMONE PRADO disse...

Nossa tremenda a história, as vezes queremos dar função as coisas e as pessoas e também aos animais, porém algumas delas fogem de nossas mãos pois tem vontade própria. Não entendemos tantas coisas nessas vidas senão somente com o coração e ter sensibilidade. Parece que ele encontrava em vc algo que o preenchia. Ele não queria cuidar e sim ser cuidado. bjim.

Elizabeth disse...

Calidad cuidada al detalle y calidez inigualable. Gracias Yayá por devolver las alas a mi pegaso.

ஜ♥Patricia♥ஜ disse...

Ele tinha a vocação de ser amigo acredito eu, rsrs tadinho do carranca. Adorei.

Maria Alice Cerqueira disse...

Boa tarde amiga,
Venho lhe desejar uma linda semana coberta de muita paz e amor!
Sua presença é muito importante em meu cantinho, por esta razão veio lhe agradecer o seu carinho de sua amável visita sempre.
Assim que poder acesse o link
http://www.mariaalicecerqueira.com/2012/01/degustacao-do-livro-vida-nossa-de-cada.html
e leia a degustação do meu próximo livro! Vida nossa de cada dia!
Obrigada de todo o coração!
Abraço amigo
Maria Alice

Matheus Amaral disse...

Oi...Minha florzinha....adorei seu blog..e esse texto do cão sem vocação é ótimo, você é muito talentosa...escreve muito bem !
adorei
to seguindo !
http://amaralstarlight.blogspot.com/

manuel marques disse...

"Não há dúvida, o cão é fiel. E por isso devemos tomá-lo como exemplo? No fundo, é fiel ao homem, não ao cão."

Abraço.

OceanoAzul.Sonhos disse...

Tocante, o seu texto.

um abraço
cvb

Eloah disse...

Quem sabe querida, a análise que fizestes do cão era para ser bem mais simples.
Simplesmente ele queria afogo e afeto e fez a sua escolha.Pena que fostes impedida de dar o que ele procurava.
Tenhas uma semana doce, suave e feliz.Bjs Eloah

Luks Vieira disse...

Lindo texto, mas não gostei do fim. Acho que a família não soube respeitar a "individualidade" do animal... parece estranho o que estou escrevendo, mas isso geralmente acontece conosco -Seres Humanos. Contudo, nem sempre podemos expressar em palavras o que realmente sentimos e no fim das contas, só nos resta duas opções: lutar pelo espaço que te agrada ou meramente fugir...
Att.,
Luks