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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ajudando sem Querer

Ajudando sem Querer

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O marido viajou para vender a safrinha de feijão, ignorando a data do seu aniversário. A mulher, Doraci, reclamou, mas a safra tem data de comercialização e não pode esperar.

No dia do aniversário, 20 de abril, Hugo, amigo de Renato, bate palmas ao portão da chácara a fim de entregar uma cesta de produtos artesanais para que Doraci entregue o presente ao marido. Aproveitando a oportunidade do contato, disse a ela que, se sentisse sozinha, ou, precisasse de uma carona até a cidade, que o procurasse. Ele atenderia qualquer necessidade dela, era pedir e conseguir.

À tarde, o capataz da chácara, veio até a porta da cozinha e pediu para conversar.

_Dona Doraci, o amigo do seu marido foi inconveniente com a senhora?

Ela disse que ele havia sido solícito, mas além da conta e que ela não gostava de tanta gentileza.

_Dona Doraci, a senhora precisa saber o que eu vou lhe contar. Esse homem veio me perguntar se, na ausência do seu marido, a senhora receberia a visita dos amigos dele, ou comerciantes, veterinários, entregadores de compras. Esse homem não fuma, não bebe e pela conversa, não é digno de confiança.

Renato chegou de viagem e soube das conversas.

_Doraci, preciso que você siga as orientações do capataz da próxima vez em que eu viajar. Ele trabalha conosco a mais de oito anos. Amigo que é amigo não oferece ajuda à mulher sem o conhecimento do marido. Se fosse uma urgência, até poderia ser, mas não é o caso.

Chega a hora de viajar de novo e comercializar a safrinha. O amigo chega com o automóvel para oferecer carona até a cidade. Prevenida, ela não aceita e diz que não pode atendê-lo no momento.

Hugo rompe o automóvel e vai embora.

Chega o dia do aniversário dela. Os amigos próximos chegam para festejar e Hugo aproveita a data para visitar o casal. Na cidade, ninguém sabe das impertinências e ele é bem tratado.

O capataz vê a situação criada e diz ao Renato:

_Esse mundo é tão grande que eu acho que o senhor Hugo pode se engaçar com outra mulher. É prudente, inteligente e resolvemos o problema. Eu tenho os meus conhecidos que vivem de festas, eles podem ajudar. O senhor vive ocupado e não tem tempo para procurar namorada para ele e não seria justo que ele desgastasse a sua imagem perante a dona Doraci.

Renato concorda, a situação está cada vez mais desagradável. Não tarda a discussão e, se os amigos do seu João capataz, são livres, e podem dar a mão, então que assim seja feito.

Assim foi feito. Hugo achou uma namorada. A namorada tinha idéias livres de relacionamento e ajudou Hugo a se livrar da idéia fixa de desmanchar o casamento dos amigos para, inconscientemente, se vingar de uma frustração amorosa na qual ele, quando jovem, havia se apaixonado e casado com uma moça divorciada. A moça não tinha filhos e ele descobriu que ela havia sido casada no dia em que foi ao cartório para dar entrada nos proclamas. Os dias que antecederam o casamento foram dias de terror nos quais ele contava a todos os parentes e amigos que se casava com uma moça divorciada, na igreja, porque o primeiro casamento dela havia se realizado no cartório. Foi uma situação dramática na vida dele. Ele precisava de ajuda, mas ali, naquela cidade, ninguém sabia do fato e o rancor acumulado ao longo dos anos se transformou em uma idéia fixa. Hugo ainda era casado, mas num casamento onde ele e a mulher viviam muito bem distantes um do outro. As mágoas eram mútuas, mas agora ele se sentia melhor para discutir o rumo desse casamento e se livrar de um conflito pessoal. A ajuda fora dada, agora era com ele.

12 comentários:

Célia disse...

O peso da safrinha do feijão em nada superou o fardo do casamento & certas intromissões! Sutil...
Abraço, Célia.

Paulo Francisco disse...

Gostei da sutileza do texto.
um beijo grande

Luís Coelho disse...

Uma história bem safadinha mas com um final feliz.
Muitos hoje trilham estes caminhos e depois cantam e contam as suas proezas...mundo cão !

Todos os maridos devem ajudar as esposas e elas devem saber discernir entre o ser e o parecer.
Não basta ser séria é preciso também parecê-lo.

Quando a mulher sabe ocupar o seu lugar com respeito outros mal intencionados não se aproximam...

Dual disse...

Un sorriso per augurati un sereno giorno..
Gio'

Everson Russo disse...

Um belo texto amiga,,,coisas que acontecem na vida...beijos de bom dia,.

Severa Cabral(escritora) disse...

Bom dia linda!
Venho falar da minha saudade...quero-te mais próxima para troca de energias...
bjsssssssssssssssssss

Parole disse...

O capataz teve uma boa ideia ... é bom ter o espírito desarmado nessas horas.

Beijinhos, querida.

quanto pesa o vento? disse...

muito real.
como sempre o teu texto é soberbo.
abraço.

manuel marques disse...

Coisas da vida,gostei do texto.

Abraço.

lucidreira disse...

Os seus textos encantam, com a sua sutileza.
Abraço

Vanessa Carvalho disse...

Belíssimo texto.

Flores.

ANALUZ disse...

... e não julgueis ninguém!!

todos agimos por alguma razão interior, boa ou má!

essa pessoa, como diz, inconscientemente, queria desfazer uma dor, mas não escolheu o melhor caminho!

á sempre, (quase sempre) anjos de luz que nos entendem e iluminam!!

texto perfeito amiga

beijo na alma