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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Em Solidariedade às famílias de São Paulo publico novamente essa homenagem póstuma, fato que se repete agora em São Paulo. “Há algo de podre no Reino da Dinamarca.”Hamlet. Texto de 01/2011

Amigo,

Quero pegar no seu pé, ainda assimilando o que aconteceu. Três pontos na testa do lado esquerdo, esfoladuras nos braços e pernas, lucidez, médico plantonista dizendo que a tremedeira que você teve era do sistema nervoso (que você não tinha nada além das escoriações), companheiros de quarto dizendo que você estava estressado e falava muito durante a noite atrapalhando o sono dos demais pacientes.

Enfermeiras atenciosas e, somente a enfermeira que ficava permanentemente no quarto atendendo os pacientes me ouviu. As senhoras acompanhantes dos outros pacientes pedindo às outras enfermeiras que me ouvissem. As assistentes sociais me telefonando e eu dizendo que não era da família. Excluindo agora : “Aliás, eles foram ao hospital depois de muitas pessoas procurarem por eles (que família, a sua!).” Ressalva do texto anterior, o seu irmão não recebeu o recado, ninguém o procurou. Excluo a frase dita: “Visita, só depois de morto?”, havia vampiros aqui e parece que mudaram de cidade. 

Depois de morto você desceu e subiu pelos elevadores, te carregaram. Do seu corpo morto, só vi os pés, a cabeça era escondida por lençóis, mas também fui chamada para ver o corpo. Pés amarelos hepatite comprovaram a sua morte. Pedi a uma assistente social que fizesse uma investigação e ela, para o bem do hospital, disse que entraria em contato com o posto de saúde para saber como você tinha dado entrada no hospital. Infelizmente, isso aconteceu depois que você morreu. Liguei para o hospital diversas vezes até me certificar de que você não seria enterrado como indigente em vala comum.

Fui ao cemitério para o seu velório, o seu nome estava lá, mas você, ou, o seu corpo simplesmente não apareceu. Você fugiu. A funcionária do cemitério ligou para a funerária e disseram que iriam te mumificar. O velório não é obrigatório pela legislação? Eu fui duas vezes, mas parece que você foi enterrado de noite sem amigos e testemunhas.

Minha família está estarrecida com a maneira de como os fatos se deram. Solto um palavrão: PORRA! Editando: De novo e de novo, quantas vezes me der vontade!

Um abraço da sua amiga, pelo visto a única amiga sincera que você teve na vida. Preciso dizer quem sou? Ah, você sabe que não.

17 comentários:

Ivone Poemas disse...

Sim minha amiga, há que se ter mesmo solidariedade com o que está acontecendo em São Paulo, falta de respeito com as dores dos que perdem os seus,como se não bastasse a dor da perda!!! Há mesmo e sempre houve algo de podre no "Reino da Dinamarca". Que pena!
Abraços!!!
Ivone poemas
henristo.blogspot.com

PS.Andei lendo suas postagens, muito boas e inteligentes, pois eu tenho também em livros coisas escritas assim como você as coloca
aqui no blog, mas as pessoas de modo geral têm preguiça de pensar, nem sequer leem quando os textos são um pouco longo, portanto escrevo "sem peias" e de forma bem clara, assim nem precisam pensar muito!
Tenho muita admiração por você! Parabéns!!!

blog da Paraguassu disse...

Olá Yayá,
Aplaudo e reitero o que disse Ivone Poemas, em gênero, número e grau.
Viver tranquilamente neste mundo, parece uma coisa impossível de acontecer. Quanto mal grassando por aí. Quanta injustiça e quanto tempo vem acontecendo dessas coisas.
Um grande beijo,
Maria Paraguassu.

Zil Mar disse...

admiro demais a forma como vc escreve....e tb se coloca diante do problema...

vc deveria estar escrevendo pra jornal..resvista...coisas assim...


grande beijo e minha admiração...

obrigada pelo selo e pela lembrança...

Zil

*Patricia* disse...

Muito bom, achei trágico e irônico ao mesmo tempo e é assim no nosso dia dia tristeza com alegrias em tragedias, affff.


Olá minha querida, passando aqui para dizer que tem um selo especial para vc la no meu blog, este mês resolvi fazer uma homenagem a todos que passam por lá e deixam um comentário, Deus te abençoe.

http://www.seiquedeusexiste.blogspot.com/

Luís Coelho disse...

A solidariedade nem sempre vestiu roupas claras e nos hospitais a morte aparece no silêncio dos cuidados médicos.

Não sei que dizer mais.
Todos nós somos esta sociedade.

Alma Mateos Taborda disse...

Muy bella entrada. La solidaridad debe estar siempre presente entre los humanos. Un abrazo.

Evanir disse...

Com muito carinho desejo um
abençoado final de semana.
Alegria ,saúde e paz no coração.
Bjs,De paz e luz.
Evanir

Aclim disse...

Minha cidae é calma ainda não chegamos a tal, mas realmente você tem razão, "Há algo de podre no Reino da Dinamarca."

Belo texto

Abraço amada

Severa Cabral(escritora) disse...

Boa noite querida!
Seu texto nos deixa reflexivo com esses acontecimentos...
bjs mil!

AFRICA EM POESIA disse...

Foi bom ler-te.
è bom recordar...
---


Ser amigo
E muito importante para mim...
A amizade é algo que devemos cuidar com muito carinho e regar todos os dias como se de uma flor se tratasse.

Pelo meu amigo eu vou até ao inferno.

Um amigo e um livro dois amores...
que são um pouco de mim...
beijos..

Vera Lúcia disse...

Um absurdo, né Yayá?
Seu texto mostra sua posição de indignação. Bastante louvável.
Beijos.

MARILENE disse...

Já que não há respeito com nada, ao menos com os mortos e suas famílias deveriam ter compaixão.

Bjs.

Van disse...

Tá vendo? Sofisticação pra falar da podridão. Inteligência e sofisticação é o que não falta por aqui. Originalidade é a sua máxima, Yayá.

Judith Bascones Lejter disse...

Paso por aqui, gracias a nuestra amiga Nicole. Se ve que es un blog elaborado con mucha dedicacion. Sera que pones widgets de traductor para leer tu el contenido en espanol, para leer tus versos. Con afecto . Judith

Lourdes disse...

Olá amiga
Após um período de férias, regressei um pouco alheada da realidade. Na minha aldeia, esquecemos até o que se passa para além da serra.
No entanto, iniciei o meu périplo pelos blogs amigos e verifiquei que tudo continua na mesma. Não é o "Reino da Dinamarca" que está podre. É o Mundo praticamente todo. Pena tenho de não me poder governar na minha serra. Era para lá que eu ia...
Aguardando por um Mundo melhor, desejo-lhe um bom fim de semana.
Lourdes

Célia disse...

Olá, Yayá... jogar a sujeira por debaixo do tapete e mascarar a realidade! Vejo que assim é e parece ser! Compactuo com seus (suas) seguidores (as) quando advertem da "preguiça mental" em ler, discutir, posicionar-se diante do que escrevemos porque vemos e sentimos! Mas, prossigamos! Unamo-nos feito andorinhas e juntas (os) apagaremos o torpor de negligência. Afinal, não somos marionetes! Parabéns pela sua argumentação solidária! Abraço, Célia.

Dayse Sene disse...

Reflexão! De quem é o morto? Ás vezes penso, que em vida não aprece o dono, em morte muito menos. Mas há quem se interessa e é preciso que esse corpo, ora sem vida, seja velado por alguém que lhe queria bem.
O mundo é assim...devemos cuidar dos nossos semelhantes com respeito, mas infelizmente isso não acontece...a falta de respeito pelos enfermos então...senti na pele isso, mesmo tendo plano de saúde, que muitas vezes se torna plano de morte, devido a não assistência, e outras vezes, devido a burocracia.
Mas é preciso "gritar" sim, há quem irá ouvir, refletir e tentar mudar.
Uma belo texto o seu.
Um ótimo sábado.
Um grande abraço.