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terça-feira, 17 de maio de 2011

Ossos do Ofício

Ossos do Ofíciomacacos

Marineide ficou viúva aos trinta e seis anos de idade. O marido era bóia-fria. Pobre e sem instrução, se empregou como doméstica na casa da bióloga Sônia a fim de garantir o sustento do seu filho Júlio.

A moça não contava dividir o espaço do trabalho com um macaco, morador da casa enquanto se recuperava dos ferimentos conseguidos ao saltar um muro quando invadiu a cidade de Sapopema, no norte do Paraná.

Marineide limpava a casa com o aspirador de pó e tinha uma vassoura por companhia. A vassoura serviria para espantar o macaco caso ele pulasse no seu colo. Dormia com a porta, do seu quarto, onde morava com o filho, trancada a chave. E, se o macaco, sofresse de insônia?

Numa quarta-feira pela manhã, encontrou o sabão em pó espalhado pela casa inteira e o macaco, que havia pegado a sua vassoura, varrendo o sabão da sala de visitas. Ao vê-la, o macaco ergueu a vassoura a imitando, para que ela não se aproximasse dele. Foi necessário esperar a bióloga chegar para o almoço para que ela fizesse o almoço, sossegada. O macaco parecia competir com Marineide pela atenção da Sônia, a sua protetora.

A empregada precisava desse emprego e evitava tocá-lo para evitar problemas com a Sônia.

Passado um tempo, em um belo dia, após lavar a louça do almoço, aproveitou as chuvas de verão para lavar as calçadas empoeiradas. Pegou o material de limpeza e viu a porta da geladeira entreaberta. Pensou que fosse um descuido seu, fechou a porta e seguiu para o quintal.

Às quatro horas e cinquenta minutos terminou a limpeza, entrou em casa e abriu a geladeira para pegar um copo com água gelada e se refrescar. Viu o macaco branquinho e enregelado, tremendo de frio e encolhido em um canto da prateleira mais alta. Sabendo que a culpa cairia sobre ela, não pestanejou. Tirou o macaco da geladeira, esquentou a água no fogão e degelou o animal. Aproveitou a água quente e fez um chá para o bichinho a fim de evitar que ele se resfriasse, ou pegasse uma pneumonia.

Quando a Sônia chegou, ao final do dia, perguntou como havia sido o dia e Marineide disse que o macaco não estava bem, contou do acidente e implorou para que Sônia o levasse ao veterinário. Disse que gostava muito dele e não queria que ele ficasse doente.

Marineide esperou o resultado da consulta e, assim que percebeu que tudo não passava de um susto, pediu demissão e procurou emprego na casa de outra senhora.

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