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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Feijão é Certo

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O Feijão é Certo.

No décimo primeiro aniversário de casados e sem filhos, Geraldo propõe à Célia que ambos se demitam dos seus empregos para abrir uma pizzaria:

_Vamos fazer algo diferente, conviver com as pessoas, nos divertir fabricando e montando as nossas pizzas?

A mulher, Célia, com os mesmos trinta e dois anos de Geraldo, sente-se jovem, alegra-se e responde:

_Vamos nos aventurar?

_Vamos!

No dia seguinte se demitiram dos respectivos empregos. Alugaram um imóvel e foram à massa.

Trabalha que trabalha, amassa que amassa e a receita estava pronta. Abriram a pizzaria. Seis meses de coberturas diferentes e bordas recheadas e a freguesia aumenta. Contratam auxiliares de serviços gerais, aproveitam o espaço, colocam mesas e a freguesia aumenta.

Um ano e eles alugam o estabelecimento ao lado, especialização em pizzas doces, novos calzones e a freguesia aumenta. Automóveis em fila na calçada, fila de espera para entrar e o casal firme, com a mão na massa.

Dois anos e a loja é deles, três anos e o sucesso continua, quarto ano sem conseguir um gerente e, no quinto ano a tabuleta na porta da pizzaria diz: “Vende-se este estabelecimento”.

Um cliente, indignado, pergunta se os negócios andam mal.

Geraldo com um olhar, pergunta e Célia com a cabeça, faz sinal que sim.

_Melhor seria impossível. Temos dinheiro e um bom nome comercial. A nossa casa, recém decorada com um jogo de sofás que nós não tivemos a oportunidade de experimentar, a televisão idem e todos os outros aparelhos de entretenimento “bis in idem”. O nosso contador nos ensinou esses termos em latim.

O freguês não entendeu a resposta. Eles podiam tirar umas férias, fechar por um período e depois reabrir a pizzaria.

É a vez de Célia falar:

_Não queríamos chefe, queríamos a liberdade de trabalho e conseguimos. Nós dormimos às duas horas da manhã e às nove horas da manhã estamos aqui para confeccionarmos as massas artesanais e crocantes. Almoçamos aqui perto e voltamos após o almoço para a feitura das coberturas e dos molhos especiais sempre frescos para o consumo. À noite atendemos o público consumidor.

O freguês insiste para que eles tirem férias.

Geraldo conta que não é uma questão de férias:

_Teríamos que ter folgas todas as semanas. Quando a Célia precisa ir ao dentista, ela faz falta aqui. Eu quero assistir uma partida de futebol e não posso. Ela quer visitar a mãe dela e dorme de tão cansada. Não terminamos as noites em abraços e sim em dores nas costas e travesseiros moídos.

Célia complementa que assim não dá para continuar.

O cliente, tinhoso, pergunta se eles trocarão o sucesso e o dinheiro por uma aventura.

Geraldo diz frisando:

_ E por que não trocaríamos? Estamos ricos!

Célia pisca:

_Vamos nos aventurar?

Hoje eles têm uma empresa distribuidora de feijão. O feijão está garantido.

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