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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Crônica Tensão e Relaxamento

cadeira

Estava tensa e sem um minuto para descansar. Imaginei-me uma maratonista e programei as horas, as tarefas e dei-me um tempo exato para executar cada tarefa.

Levantar cedo e mãos a obra. Um mês inteiro nessa rotina de fazer inveja aos atletas profissionais. Pensei que podia e fiz tudo o que precisava ser feito.

Esqueci-me que não sou tão jovem assim, mas agi dentro dos meus limites. Quando terminei o que tinha me proposto a fazer, pensei em relaxar, assistir um filme, passear no shopping e comprar um livro.

Assim fiz. Passei o domingo descansando. A segunda-feira veio bem e eu me senti apta a fazer tudo de novo não fosse aquele torcicolo que me obrigou a deitar como estátua na cama e tirar o dia procurando uma posição que amenizasse a dor.

Um dia perdido para qualquer tarefa séria. A concentração e o pensamento lógico se afastaram de mim como se eu fosse uma adversária. O corpo pedia repouso. Verifico as contas a pagar e descubro que paguei com quinze dias de antecedência a conta que vence na semana que vem, errei quatro vezes e risquei e rabisquei a agenda onde eu anoto os compromissos. Almoço batatas fritas de pacote e me pergunto onde estão escondidos os tomates na geladeira. Deito e repouso.

A minha consciência me critica e eu a mando embora. Fecho os olhos e penso em algum motivo para os mendigos entrarem em greve em apoio à greve dos bancários. Por que quando as agências estavam fechadas os mendigos desapareceram e qual seria o motivo de voltarem lá quando a greve foi suspensa? São questionamentos do cansaço. O meu corpo mendigando cama e tirando-me a possibilidade de qualquer atividade. Os meus músculos doem.

Uma tarde parada sem vontade de me mexer. O refrigerante gelado me chama e eu não consigo ir até a cozinha. O lado positivo foi comparecer às provas, bem sucedidas, os compromissos sociais a contento, tudo no seu devido lugar.

Lembrei-me da juventude e das aulas de ginástica feminina.

_O resultado da ginástica aparece quando você descansa e sente as dores musculares dentro dos padrões esperados. Daí vem uma vantagem, a de se trabalhar a musculatura em dias alternados porque se percebe o ganho da tonicidade e firmeza muscular.

Em um mês eu caminhei, fiz levantamentos de sombrinha, agachamentos de supermercado, corrida com desvio de obstáculos na calçada, tive quedas sem joelheiras e me virei para fazer o que tinha que ser feito. Entrei no ritmo que inventei e agora esse descanso forçado e fora de hora. Ainda aguento, ainda consigo, disse a minha vaidade. O torcicolo me avisa que se eu fizer isso de novo, ele compra um colete protetor para o meu pescoço. Um momento precioso para avaliações pessoais e para fazer novos planos para quando a dor passar.

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